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A belíssima história recente do Leicester

Time acostumado a apanhar, muda radicalmente de postura após chegada de um novo treinador. Jogadores descobrem ter capacidade até então impensável. A comunidade abraça a equipe e forma uma torcida atuante. Atletas vistos como fracassados se transformam em vencedores convictos. E no final (feliz, claro), eles vencem.

O manjado roteiro de tantos filmes que tratam de esportes (não importa a modalidade), se reproduz na realidade em Leicester. A cidade encravada bem no centro da Inglaterra, cuja região tem cerca de 340 mil habitantes, se transformou em assunto mundial graças a seu time de futebol que teima, insiste em desafiar a lógica.

Leicester, cidade no centro da Inglaterra
Leicester, cidade no centro da Inglaterra

No Condado de Leicestershire o rúgbi era maior motivo de orgulho, graças ao Leicester Tigers, que em 10 ocasiões faturou o Campeonato inglês, em sete levou a Anglo-Welsh Cups, em duas ficou com a Copa Heineken e tem quatro títulos da Aviva A League. O time de futebol… Bem, o Leicester City apenas tentava voltar à primeira divisão do futebol na Inglaterra.

Voltou e quase caiu em 2015. Evitou a queda em sensacional reação, ganhando sete dos nove últimos jogos e perdendo apenas uma vez na reta final da Premier League. Sobreviveu com arrancada posterior a oito pelejas sem vitória. Parecia condenado, mas seguiu na elite, sabe-se lá como. Talvez por causa do Rei Ricardo III (veja no vídeo abaixo a ótima história relatada por João Castelo Branco em Leicester).

Coincidência? Leicester renasce após enterro de rei medieval em catedral da cidade
Coincidência? Leicester renasce após enterro de rei medieval em catedral da cidade

Somando aquela arrancada à atual temporada, são 42 jogos com 28 vitórias e somente quatro derrotas, para Chelsea (na temporada passada), Liverpool e Arsenal (duas vezes). Os pequenos não têm tido chance diante dos Foxes, sete pontos à frente do Tottenham e com possibilidades de titulo em duas rodadas, contra o Swansea.

Um time que não joga de maneira envolvente, pelo contrário. É rústico. Tem pouca posse de bola, explora os lançamentos, as bolas longas, recorre às rebatidas, aos chutões, quando sob pressão, mas tem apresentado inacreditável precisão. Quase tudo funciona bem com o grupo treinado pelo desacreditado Claudio Ranieri. Incrível!

Ranieri se emociona e chora após mais uma vitória do Leicester no Inglês
Ranieri se emociona e chora após mais uma vitória do Leicester no Inglês

Diante do extraordinário, muitos buscam explicações para o fenômeno. Uma tese comum é a de que a mais equilibrada distribuição do dinheiro da televisão na Premier League permite a um pequeno montar time forte, capaz de brigar pelo título. Balela. A grana da TV é apenas parte daquilo que abastece os robustos cofres desses clubes.

Os do Leicester não são tão recheados. Tanto que no começo da temporada, seu elenco era simplesmente o quarto mais barato do campeonato, superando apenas os times que vinham da segunda divisão. O Transfer Market avaliava em agosto de 2015 em £ 60,98 milhões (atuais R$ 313 milhões) o valor de mercado de seus jogadores.

Elenco do Leicester era o quarto mais barato no começo do campeonato inglês 2015/2016
Elenco do Leicester era o quarto mais barato no começo do campeonato inglês 2015/2016

O grupo de atletas então à disposição de José Mourinho no Chelsea valia 6,5 vezes mais! Os de Manchester City e Arsenal eram avaliados pelo quíntuplo. Hoje o site especializado estima os jogadores do Leicester em £ 95 milhões (em torno de R$ 487,5 milhões). Cerca de um quarto do que atribui ao elenco dos Blues em pífia temporada.

Estádios de rúgbi e futebol próximos, assim como era o Filbert Street, fechado em 2002
Estádios de rúgbi e futebol próximos, assim como era o Filbert Street, fechado em 2002

É óbvio que os Foxes têm um time modesto, que usa de recursos futebolísticos até rudes para alcançar seus objetivos. Seria suicídio se tentassem se impor pela posse de bola, troca de passes, jogadas elaboradas, sofisticadas, que não são capazes de executar de maneira competitiva. E aí passa boa parte da razão do próprio êxito. Conhecem as suas limitações e desvendaram pontos fortes até então desconhecidos.

É evidente que a péssima temporada de times poderosos como Chelsea, Liverpool e Manchester United abriu caminho para quem se aventurasse a erguer a taça. Em tese seria a vez do Arsenal que, mais uma vez, fracassa na hora decisiva e seguirá no jejum de títulos do campeonato inglês — vai para 12 anos de seca. Seu rival, pelo contrário. O Tottenham faz temporada acima das expectativas iniciais, quase impecável, mas não tão cirúrgica quanto a do Leicester e seu futebol inexplicavelmente eficaz.

O sucesso dos Foxes é um fenômeno incompreensível, e seus torcedores parecem os únicos nem um pouco preocupados em entender o que acontece. Querem é saborear o que se passa a cada jogo vencido. Subvertendo a ordem natural das coisas, desafiando a lógica, mudando a rotina, debochando de regras que na realidade não existem.

Quem disse que no futebol a vida jamais imitará o cinema? Por mais que o dinheiro pese muito e defina os rumos, encaminhe os vencedores, direcione os títulos pela imposição técnico-econômica, o Esporte-Rei ainda guarda algumas cartas na manga. E está jogando uma bem pesada na atual temporada. Nela, uma raposa ameaça rir de todos nós.

Magnífico!

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