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A aposta em Deivid não foi muito boa

O empate contra o mistão do Campinense na estreia da Copa do Brasil fez muita gente perder de vez a paciência com o técnico Deivid. Me incluo nesta. Depois de quase quatro meses de trabalho já é possível analisar friamente o desempenho do treinador e sua equipe e chegar à conclusão de que não deu certo.

No começo do ano, achei exageradas as críticas em cima do time após quatro, cinco jogos. Não que elas não fossem merecidas. Só acho que não era tempo suficiente para se avaliar algo. Especialmente no futebol, é necessário que um profissional tenha tempo para trabalhar, mostrar sua capacidade e implantar sua filosofia. Não seria em cinco jogos que Deivid mostraria isso. Hoje, após 90 dias, ele não mostrou.

Deivid foi escolhido especialmente por dois motivos: dar sequência ao trabalho iniciado por Mano Menezes no fim do ano passado e ter respaldo total do grupo de jogadores, que inclusive fizeram campanha pelo seu nome publicamente. O que se viu logo de início é que o treinador mudou bastante o jeito do time jogar, embora as peças fossem praticamente as mesmas do ano passado.

Dá para dizer que além de não evoluir, o time involuiu nas mãos do treinador. Apesar da ótima campanha na 1ª fase do Campeonato Mineiro, o time empolgou mesmo apenas na partida contra o Uberlândia, então na briga pela liderança. Contra o Atlético/MG, no Horto, fez um jogo efetivo e frio, conquistou a vitória, mas nem isso foi o suficiente para que a equipe embalasse e a torcida fosse junto.

A má impressão deixada nos últimos dois jogos contra América e Campinense mostram um time sem padrão, espaçado, desorganizado, sem intensidade, verticalidade e eficiência. A transição é lenta, a marcação é falha, e o ataque improdutivo. O Cruzeiro atual tem um jogo chato, burocrático e sem inspiração. É até cansativo de assistir.

Vejo o grupo do Cruzeiro como bom. Obviamente carece de duas ou três peças que possam incrementar ainda mais o todo. Mas não é grupo para apresentar o pouco futebol deste primeiro trimestre.

Outra coisa que me incomoda e muito são as entrevistas pós-jogo de Deivid. Além de não ter se desprendido do discurso de boleiro que foi, o treinador não tem enxergado sequer o óbvio. Sua leitura de jogo tem sido falha e as desculpas, às vezes, beiram o inaceitável.

O que percebi nas últimas horas é que o desânimo está batendo na maioria da torcida, tal qual na época em que o time de Vanderlei Luxemburgo começou a cair pelas tabelas, em uma demonstração nítida de que os treinamentos (quando ocorriam) não estavam sendo adequados.

Acho que a aposta da diretoria foi ousada, válida e até louvo isso. É preciso fugir do óbvio e o Cruzeiro fugiu. Falta de arrojo e personalidade não foi. Mas é preciso também saber e ter coragem para reconhecer que não deu certo e mudar antes que o cenário piore. Além de tudo, Deivid não transmite uma mensagem otimista para perspectivas futuras a curto ou médio prazo. Na minha opinião, chegou a hora de mudar, antes mesmo deste jogo de volta contra o América, enquanto todos os campeonatos estão em aberto ainda.

Classificar no domingo, com a força da camisa, da torcida ou da qualidade individual do time, pode mascarar um rendimento que parece não irá melhorar nas próximas semanas, o que prejudicaria a caminhada inicial em termos de Campeonato Brasileiro. Deivid tem seu nome marcado na história do clube, mas infelizmente não deu certo como treinador. A realidade é esta.

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