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Estrela Vermelha tenta se reerguer

Com 24 vítórias seguidas, gigante sérvio tenta se reerguer

Quando o pênalti de Darko Pancev superou Pascal Olmeta e definiu a vitória do Estrela Vermelha por 5 a 3 contra o Olympique de Marselha, em Bari, o mundo do futebol passou a conhecer aquela equipe sérvia. Depois do 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, o Crvena Zvezda de Belgrado se tornou o primeiro e único representante da Sérvia a conquistar a Europa. Um quarto de século depois, surge no clube um time para brigar por seu lugar na história.

Na semana passada, ao fazer 4 a 0 fora de casa no Novi Pazar, o atual Estrela Vermelha estabeleceu novo recorde para a instituição, com incríveis 24 vitórias seguidas no Campeonato Sérvio. A marca permitiu abrir 22 pontos de vantagem sobre o rival Partizan, atual campeão, após 27 rodadas. Pela primeira vez a competição terá uma fase final, com os oito melhores colocados avançando para a disputa de título. “Apenas” por isso o título ainda não foi comemorado.

O feito da geração de 1991 não será repetido. Sem qualquer precipitação, é possível afirmar que, independentemente do que acontecer com esse elenco, o Estrela Vermelha não vencerá a Liga dos Campeões na próxima temporada. São tempos completamente diferentes, em que os melhores jogadores do Leste Europeu deixam prematuramente seus clubes para ganharem milhares ou milhões de Euros na Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Inglaterra…

A equipe que bateu o Olympique de Marselha de Mozer, Abedi Pelé e Jean-Pierre Papin tinha alguns dos maiores jogadores que nasceram nos Balcãs. Casos do goleiro Stefan Stojanovic e dos meias Robert Prosinecki, Sinisa Mihajlovic e Dejan Savicevic, além do zagueiro romeno Miodrag Belodedici. Era na prática a base da fortíssima seleção iugoslava, que seria suspensa no ano seguinte por conta da guerra na região e que posteriormente acabaria, assim como o país chamado Iugoslávia.

“Muito mudou desde então. O atual time não tem competidores à altura na liga, então é difícil estimar a real força dele. Isso pode se tornar um grande problema, já que os jogadores podem se tornar supervalorizados e confiantes além da conta, o que se viraria contra eles na Europa. Vamos esperar as eliminatórias para a Liga dos Campeões e então veremos”, afirma o jornalista sérvio Milos Markovic. “O Estrela Vermelha fez um grande esforço para formar esse elenco forte e pressionar o Partizan, dominante nos últimos anos. Tem feito grandes atuações, mas eu não iria tão longe na comparação com o melhor Estrela Vermelha da história, aquele de 1991. Aqueles jogadores se tornaram lendas e dificilmente serão superados um dia”, completa.

É possível, porém, traçar outro paralelo entre os times de 1991 e 2016, por mais precoce que seja: a juventude.

“Se nós tivéssemos uma mentalidade ofensiva naquele jogo, provavelmente teríamos perdido. Não porque o Olympique era necessariamente melhor do que nós, mas porque os jogadores deles estavam acostumados a disputar grandes partidas como aquela. Tínhamos um elenco cheio de garotos de 21, 22, 23 anos”, relembrou Sinisa Mihajlovic, em entrevista concedida ao site sérvio Sportal em 2011.

O Estrela Vermelha é, historicamente, um revelador de talentos, e do time atual a principal promessa já está inclusive negociada. Em 2013, Marko Grujic estreou com 17 anos na equipe profissional; Meia alto, 1m91, com toque de bola refinado e fonte de inspiração em Dejan Stankovic; Ele é tratado como a nova pérola dos Balcãs, e por isso o Liverpool pagou em janeiro cerca de 6.5 milhões de euros por ele, emprestando-o na sequência até o final desta temporada.

A Sérvia campeã mundial sub-20 em 2015, batendo o Brasil na decisão, tinha quatro jogadores do Estrela Vermelha e outros dois formados na base do clube, mas já defendendo equipes estrangeiras. Destes, apenas o goleiro Filip Manojlovic permanece no clube, além de Grujic, e é o único com perspectivas de continuar por mais algums tempo. O outro goleiro, Predrag Rajkovic, foi vendido ao Maccabi Tel Aviv para fazer caixa, e o zagueiro Vukasin Jovanovic está no Zenit São Petersburgo.

“Uma das primeiras perguntas que me fizeram foi ‘Por que eu não fui diretamente para o Liverpool, já que eles estão com vários jogadores machucados?’. O próprio Klopp me falou que precisava de mim naquele momento, mas eu não poderia abandonar o meu sonho de conquistar um título com o Estrela Vermelha. Esse sempre foi o meu sonho desde que comecei a jogar. Agora que estou tão perto de conquistar não poderia abandoná-lo”, explicou o próprio Grujic, ao canal de TV do Estrela Vermelha.

Mesmo com tantas vendas recentes, o clube segue em dificuldade financeira. Zvezdan Terzic é o homem forte do por lá. Ex-jogador profissional nos anos 1980 e 90, Terzic se formou em economia já no final da carreira, na sequência assumiu o cargo de Gerente Geral do OFK Belgrado e obteve muito sucesso local, tornando o clube capaz de brigar com os gigantes Estrela Vermelha e Partizan. Conseguiu, também, revelar diversos jogadores como Branislav Ivanovic, para citar apenas um. Investigações posteriores, no entanto, descobriram a participação de Terzic em manipulações de resultados e o recebimento ilegal de altas quantias em transferências de atletas.

Em novembro de 2010 foi condenado pela Justiça e se entregou às autoridades sérvias. Passou seis meses na prisão em Belgrado e pagou 1 milhão de euros de fiança para ser liberado. Nesse meio-tempo foi também presidente da Associação Sérvia de Futebol entre 2005 e 2008 – período em que Montenegro se tornou independente – e desde 2014 atua como gerente Geral do Estrela Vermelha. Atualmente, garante investir grande parte de seu dinheiro no clube para manter as finanças em dia.

“A situação financeira melhorou, mas é difícil explicar como e de onde. Zvezdan Terzic alega que ele mesmo bombou as finanças do clube com recursos próprios e conseguiu controlar as perdas do clube. Além disso, a venda de Marko Grujic para o Liverpool ajudou muito. Só que é preciso ressaltar que o Estrela Vermelha émo atual clube favorito do Estado, e alguns patrocínios foram feitos para ajudar o time”, mostra o contexto completo, o jornalista Milos Markovic.

Há outro ponto que precisa ser ressaltado sobre essa histórica campanha do Estrela Vermelha no Campeonato Sérvio: Miodrag Bozovic.

Zagueiro alto, de 1m96, começou na base do Buducnost nos anos 1980, da antiga Titograd – posteriormente Podgorica, capital de Montenegro. No clube atuou ao lado de duas lendas dos Balcãs, Predrag Mijatovic e Dejan Savicevic. Em 1992 se transfere para o Estrela Vermelha onde fica até 94, e então por causa da Guerra deixou o clube e iniciou longa peregrinação por diversos times do mundo inteiro, até se aposentar em 1999 pelo modesto Roosendaa, da Holanda.

Mesmo com tantas vendas recentes, o clube segue em dificuldade financeira. Zvezdan Terzic é o homem forte do por lá. Ex-jogador profissional nos anos 1980 e 90, Terzic se formou em economia já no final da carreira, na sequência assumiu o cargo de Gerente Geral do OFK Belgrado e obteve muito sucesso local, tornando o clube capaz de brigar com os gigantes Estrela Vermelha e Partizan. Conseguiu, também, revelar diversos jogadores como Branislav Ivanovic, para citar apenas um. Investigações posteriores, no entanto, descobriram a participação de Terzic em manipulações de resultados e o recebimento ilegal de altas quantias em transferências de atletas.

Em novembro de 2010 foi condenado pela Justiça e se entregou às autoridades sérvias. Passou seis meses na prisão em Belgrado e pagou 1 milhão de euros de fiança para ser liberado. Nesse meio-tempo foi também presidente da Associação Sérvia de Futebol entre 2005 e 2008 – período em que Montenegro se tornou independente – e desde 2014 atua como gerente Geral do Estrela Vermelha. Atualmente, garante investir grande parte de seu dinheiro no clube para manter as finanças em dia.

“A situação financeira melhorou, mas é difícil explicar como e de onde. Zvezdan Terzic alega que ele mesmo bombou as finanças do clube com recursos próprios e conseguiu controlar as perdas do clube. Além disso, a venda de Marko Grujic para o Liverpool ajudou muito. Só que é preciso ressaltar que o Estrela Vermelha émo atual clube favorito do Estado, e alguns patrocínios foram feitos para ajudar o time”, mostra o contexto completo, o jornalista Milos Markovic.

Há outro ponto que precisa ser ressaltado sobre essa histórica campanha do Estrela Vermelha no Campeonato Sérvio: Miodrag Bozovic.

Zagueiro alto, de 1m96, começou na base do Buducnost nos anos 1980, da antiga Titograd – posteriormente Podgorica, capital de Montenegro. No clube atuou ao lado de duas lendas dos Balcãs, Predrag Mijatovic e Dejan Savicevic. Em 1992 se transfere para o Estrela Vermelha onde fica até 94, e então por causa da Guerra deixou o clube e iniciou longa peregrinação por diversos times do mundo inteiro, até se aposentar em 1999 pelo modesto Roosendaa, da Holanda.

Sa proslave 24 godine od titule prvaka sveta u Pančevu #fkcz #czv #crvenazvezda

Uma foto publicada por FK Crvena zvezda (@crvenazvezdafk) em

Já no ano seguinte iniciou a carreira de treinador e, aos poucos, foi moldando seu perfil. Na Rússia, na última década, começou a conquistar fama com bons trabalhos no comando de Amkar Perm, Dinamo Moscou e Lokomotiv Moscou. Sempre direto nas entrevistas, Bozovic costuma falar sem filtro, sem pensar duas vezes. Age assim também, e nem sempre em referência ao esporte. No evento de celebração dos 24 anos da conquista da Copa dos Campeões da Europa, por exemplo, ele apareceu vestindo uma camisa com foto de Vladimir Putin, presidente da Rússia.

Nesta temporada ele tem sido um dos segredos do Estrela Vermelha. Mesmo diante da crise financeira do clube, consegue fazer o elenco acreditar em suas palavras e não perder o impressionante ritmo. Tem sido tratado, também, pela imprensa sérvia como algo “novo” no país, com ideias inovadoras em relação à tática e a treinamentos.

Por fim, apenas como curiosidade, vale ressaltar a ligação histórica e atual do Estrela Vermelha com o Brasil. Diversos jogadores passaram pelo clube nos últimos dez anos, como Aílton (ex-Schalke 04), Evandro (ex-Palmeiras, atualmente no Porto), Cléo (ex-Atlético Paranaense, hoje no Goiás), Ely Thadeu (ex-Vasco) e Vinícius Pacheco e Bruno Mezenga (ambos ex-Flamengo), entre outros. No elenco atual há apenas um representante oriundo de terras brasileiras, o zagueiro Edson Silva, ex-São Paulo.

Contratado em fevereiro após quatro anos no Tricolor paulista, o vigoroso atleta é titular absoluto de Miodrag Bozovic, e provavelmente tomou um susto quando soube que jogaria regularmente pelo Estrela Vermelha no Marakana. Isso mesmo, com K e sem acento.

É desta forma que os sérvios chamam o estádio Rajko Mitic, em homenagem ao maior personagem da história do Crvena Zvezda, ex-jogador e técnico entre os anos 1940 e 70. Inaugurado em 1963, o estádio recebeu o apelido pela grandiosidade inédita na região: já comportou 108 mil torcedores em um clássico contra o Partizan.

Públicos assim fazem parte do passado, já que o Maraka deles não comporta mais do que 55 mil atualmente. A briga de igual para igual contra os grandes do continente, infelizmente, também integra apenas a lembrança dos mais velhos. É na base e com o atual time, porém, que a atual geração de apaixonados pelo Estrela Vermelha sonha com dias melhores, como aqueles de 1991.

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