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A seleção do Haiti que renasceu das cinzas

Neste sábado, a seleção do Haiti estreia na Copa América Centenário contra o Peru, às 20h30 (horário de Brasília). Para estar na competição de seleções nos Estados Unidos, a equipe do país mais pobre da América teve que renascer das cinzas nos últimos seis anos, depois que a nação insular foi destruída por um terremoto de 7 graus na escala Richter, em janeiro de 2010, que deixou, entre outros milhares de feridos e desabrigados, 160 mil mortos. Ou seja, 3% da população do país…

Torcedor do Haiti sorri durante partida
Torcedor do Haiti sorri durante partida

No desastre, o futebol haitiano foi reduzido a pó, já que 32 membros da HFF (Federação Haitiana de Futebol), incluindo jogadores e treinadores, morreram no incidente. O presidente da organização, Yves Jean Bart, ficou ferido, mas resistiu e acabou sobrevivendo.

“Não sobrou nada. Tudo o que havia no prédio, tudo o que compramos para ter um escritório decente, todo nosso esforço para montar um arquivo, expor nossos troféus e medalhas, foi tudo em vão. Perdemos tudo. Perdemos também nosso melhor treinador, todo o equipamento da seleção, bolas, uniformes… Perdemos tudo”, lembrou Bart, em entrevista à CNN.

O estádio Sylvio Cator, onde a seleção sempre mandou seus jogos, também deixou de ser utilizado para o futebol, virando base para atendimento de desabrigados, enfermos e famintos. Por muitos anos, a seleção nacional ficou sem ter um campo para jogar, já que a prioridade era dar assistência a cerca de 7 mil pessoas na arena.

O esporte haitiano, assim como sua população, pareciam fadados ao eterno sofrimento.

Terremoto em 2010 dizimou o Haiti e boa parte de sua população
Terremoto em 2010 dizimou o Haiti e boa parte de sua população

Mas, como diz o ditado, o jogo só acaba quando termina.

Com muita força de vontade e ajuda dos países vizinhos do Caribe, da Fifa, da ONU e até de jogadores estrangeiros, como o meia Florent Malouda, ex-Chelsea e seleção francesa, a nação, e seu futebol, vão aos poucos se reconstruindo.

Seis anos depois, o prédio da Federação foi reconstruído, apesar de nada ter sido recuperado em meio às ruínas da sede anterior. O Campeonato Haitiano voltou a acontecer. O estádio Sylvio Cator passou a ser utilizado novamente para o futebol.

Para a seleção, o treinador francês Marc Collat foi contratado, e ajudou o time a se tornar competitivo. Depois, outro francês, Patrice Neveu, acostumado a trabalhar em países complicados, como Níger, Guiné, República Democrática do Congo e Mauritânia, foi chamado para arregaçar as mangas e colocar o resto das coisas em ordem.

E, dos escombros, o Haiti renasceu.

Com um time formado em sua maioria por “ilustres desconhecidos”, que jogam em times mais desconhecidos ainda, a seleção caribenha vem de resultados expressivos nas últimas temporadas, principalmente atuando contra seus rivais diretos.

Millen comemora a ida do Haiti para a Copa América
Millen comemora a ida do Haiti para a Copa América

Antes do terremoto, os haitianos ocupavam a 90ª posição no ranking da Fifa. Hoje, estão na posição de nº 74, e conquistaram a vaga na Copa América Centenário no campo, e não por convite, após eliminarem Trinidad & Tobago na eliminatória.

A prova da ressurreição veio na Copa Ouro de 2015, quando o Haiti, cotado como “saco de pancadas” antes do torneio, se classificou em 2º no grupo A, deixando para trás Panamá e Honduras, e ficando atrás somente dos Estados Unidos. Nas quartas, acabou caindo para a Jamaica, que seria vice-campeã, mas vendendo caro e perdendo só por 1 a 0.

Segundo Collat, ex-treinador da seleção, o potencial da jovem seleção haitiana é “infinito” para os próximos anos. No entanto, muita coisa ainda tem que ser arrumada antes que a nação da América Central possa sonhar mais alto no futebol.

“Temos muitos jogadores jovens e bons. Infelizmente, não temos a estrutura adequada, mas ainda temos muitos atletas extraordinários para descobrir. Não é fácil atravessar o Haiti. As estradas nunca estão em bom estado, e algumas nem foram reconstruídas. Ainda temos muito que melhorar”, analisou, à revista Vice.

Torcida do Haiti faz festa contra a Jamaica
Torcida do Haiti faz festa contra a Jamaica

Agora, o objetivo é fazer uma boa participação na Copa América Centenário e depois pensar em uma classificação para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018 – o Haiti até hoje só disputou uma edição do Mundial, em 1974. A situação, porém, é difícil, já que a equipe está na lanterna da chave B, atrás de Costa Rica, Panamá e Jamaica.

A atual geração haitiana, porém, está sendo preparada mesmo é para a Copa do Catar, em 2022, quando vários jovens talentos atual estarão em seus auges físicos. Casos, por exemplo, do defensor Stéphane Lambese, de 21 anos, do Paris Saint-Germain, e dos atacante Jeff Louis, de 23 anos, do Caen-FRA, e Duckens Nazon, 22 anos, do Laval-FRA.

Na próxima quarta-feira, aliás, o Haiti vai encontrar o Brasil na 2ª rodada da Copa América, para depois encerrar sua participação no próximo dia 12, contra o Equador.

Se alguém já considera o país mais pobre do continente como “saco de pancadas”, é melhor pensar de novo. Afinal, nem mesmo um terremoto de 7 graus na escala Richter é capaz de colocar um ponto final em seus sonhos…

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Comments (1)

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