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Os gaúchos da seleção brasileira

Seleção brasileira com estilo gaúcho. Tite assumiu a seleção e mais uma vez teremos um comandante gaúcho dirigindo a seleção canarinho. Esta já é a 5º geração de técnicos gaúchos na seleção brasileira sendo o ultimo comandante fora do sul Carlos Alberto Parreira em 2016.

Estaria a Seleção jogando a “escola gaúcha” de futebol? Ou será que a naturalidade dos últimos quatro técnicos seria apenas uma coincidência? Para tentar entender, o relembramos o estilo de jogo e o trabalho de Mano Menezes, Felipão e Dunga (duas vezes) na Seleção e fizemos uma breve projeção do trabalho de Tite à frente da amarelinha.

Carlos Alberto Parreira foi o que terminou a onda de técnicos fora do Rio Grande do Sul em 2006
Carlos Alberto Parreira foi o que terminou a onda de técnicos fora do Rio Grande do Sul em 2006

Logo após o fracasso na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, os dirigentes da CBF concluíram que era necessário mudar a postura do comandante da Seleção. Assim, Parreira foi demitido e Dunga, um dos símbolos da equipe que conquistou o tetracampeonato, foi contratado para sua primeira passagem pela Seleção e sua primeira experiência como técnico de futebol.

Dunga nasceu em Ijuí, interior do Rio Grande do Sul. Dunga mostou muito da força gaúcha em seus primeiro anos de comando técnico. Seu auxiliar técnico era Jorginho, pessoa que muito ajudou o ex-volante em suas conquistas. Dunga gostava de marcação apertada e que seus jogadores mostrassem sua força.

Em 2008, Brasil empatou em 0 a 0 com a Bolívia, no Engenhão: partida foi um dos retratos da seleção de Dunga
Em 2008, Brasil empatou em 0 a 0 com a Bolívia, no Engenhão: partida foi um dos retratos da seleção de Dunga

Dunga conseguiu dois títulos neste tempo como treinador, Copa América de 2007, e Copa das Confederações de 2009. Mesmo assim ele nunca conseguiu matar aquela pulga atrás da orelha do torcedor. A seleção de Dunga fisicamente era impecável, porém sem muita criatividade e dependia muito de bolas paradas. O Brasil nessa época até conseguia se dar bem contra seleções de maior expressão e que jogavam um futebol mais aberto, porém com equipes mais fechada encontrava muita dificuldade.

Na Copa do Mundo de 2010, o Brasil contava muito com as estrelas de Robinho e Kaká, ambos em boa fase: a dupla era fundamental para dar um toque extra de talento ao time. Além deles, os zagueiros Juan e Lúcio formavam uma das melhores defesas do mundo.

Brasil de 2010 era mais dedicado ao condicionamento físico do que a habilidade e criatividade.
Brasil de 2010 era mais dedicado ao condicionamento físico do que a habilidade e criatividade.

Por mais que a eliminação brasileira tenha se dado num dia atípico e por conta de falhas individuais (a saída errada de Julio Cesar e a expulsão destemperada de Felipe Mello) contra a Holanda, podemos dizer que Dunga até foi bem em sua primeira passagem, mas não cumpriu o objetivo de renovar o futebol brasileiro, uma vez que não trouxe nada de novo para a nossa Seleção.

O Brasil até que começou bem o jogo contra a Holanda, porém duas falhas cruciais custaram a vaga na próxima fase da seleção canarinho.
O Brasil até que começou bem o jogo contra a Holanda, porém duas falhas cruciais custaram a vaga na próxima fase da seleção canarinho.

Após mais uma eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo, a CBF escolheu Muricy Ramalho como novo comandante. Porém, sem a liberação do Fluminense, seu clube à época, o treinador precisou recusar a proposta e abriu espaço para mais um gaúcho assumir a Seleção: Mano Menezes.

O técnico nasceu um uma cidade do interior chamando Passo Sobrado, que ficava muito perto de Porto Alegre. Ele nunca foi a primeira escolha muito menos era adorado por toda a CBF. Teve alguns títulos em sua carreira como a Série B de 2005 e 2008 com Grêmio e Corinthians e a Copa do Brasil de 2009.

Diferentemente de seu antecessor, Mano Menezes não seguia à risca a tradicional escola gaúcha de futebol: em diversos momentos no comando da Seleção, havia uma clara tentativa de montar uma equipe mais leve, com alternativas diferentes, mas não houve tempo de trabalho.

Teve pouco tempo a frente da seleção e chegou a comandar apenas na Copa América de 2011 onde o Brasil fez uma péssima campanha. Venceram apenas um jogo na primeira fase e nas quartas de final foram eliminados pelo Paraguai nos pênaltis.

Apesar do bom time no papel, Seleção foi muito mal na Copa América de 2011
Apesar do bom time no papel, Seleção foi muito mal na Copa América de 2011

Esse não foi o fim de seu ciclo na seleção. A partir dai o treinador começou a implantar uma nova mudança em seu time deixando um centroavante fixo. Como nosso futebol já a um bom tempo vem encontrando dificuldades para encontrar um bom camisa 9, Mano optou por centralizar Neymar fazendo o garoto atuar como um falso 9.

A evolução era lenta, mas era possível ver uma melhora. Ainda assim, o nome de Mano não enchia os olhos dos dirigentes da CBF, tampouco da torcida brasileira. Quando a equipe principal mostrava o melhor futebol sob seu comando, Mano Menezes foi demitido no final de 2012. A falta de apelo e a derrota nas Olimpíadas de Londres teriam pesado na decisão.

A despedida de Mano Menezes da seleção foi com a vitória no Super Clássico das Américas em 2012
A despedida de Mano Menezes da seleção foi com a vitória no Super Clássico das Américas em 2012

A dois anos da Copa do Mundo em casa, a CBF foi em busca de um treinador de peso, com conhecimento de causa e histórico vencedor. Assim, Luiz Felipe Scolari retornou à Seleção cerca de dez anos após ter conquistado o pentacampeonato mundial, em 2002.

Em 2002 Felipão modificou a forma de jogar da seleção em uma tática que parecia muito defensiva, mas deu muito certo pois conseguiu uma solidez defensiva visto que seu ataque contava com jogadores de grande habilidade, mas que não marcavam como Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo.

Porém, em 2013, o gaúcho natural de Passo Fundo não estava em alta: seus últimos trabalhos haviam sido no futebol do Uzbequistão e uma passagem conturbada pelo Palmeiras, onde conquistou a Copa do Brasil de 2012, mas deixou a equipe na vice-lanterna do Brasileirão, à beira do rebaixamento.

Em sua volta, Felipão não conseguiu mostrar nenhuma mudança significativa a seleção e nenhuma adaptação ao futebol moderno. O treinador apostava nas mesmas convicções antigas e sem efetividade.

Em 2014, Felipão passou longe de praticar seu estilo de jogo tradicional e se prendeu ao 4-2-3-1
Em 2014, Felipão passou longe de praticar seu estilo de jogo tradicional e se prendeu ao 4-2-3-1

Na maioria dos jogos a seleção jogava sem criatividade no meio campo com muitas ligações diretas da defesa para o ataque e dependiam muito da individualidade de Neymar. Apenas uma exceção aconteceu quando venceram a Copa das Confederações em cima da Espanha onde o time mostrou uma cara diferente que até chegou a empolgar a torcida.

Na Copa do Mundo de 2014, a tragédia veio a galope. Por ironia do destino, se Scolari tivesse apostado no seu tradicional estilo de jogo naquele fatídico 8 de julho, talvez o 7 a 1 jamais tivesse acontecido. Apostando no fator casa e pressionado a jogar de igual para igual contra a Alemanha, o técnico decidiu manter o time mais leve, mesmo com ausência de Neymar naquela semifinal.

Será que se Felipão continuasse com seu esquema defensivo, a Alemanha teria nos humilhado daquela forma?
Será que se Felipão continuasse com seu esquema defensivo, a Alemanha teria nos humilhado daquela forma?

Depois do maior vexame da história do futebol brasileiro, a CBF surpreendeu a todos e apostou mais uma vez em Dunga que, desde a última passagem pela Seleção, só havia comandando o Internacional, sem sucesso, em 2013.

Pelo que já se tinha visto, Dunga continuou com os mesmos métodos que utilizou em sua primeira passagem pela seleção. Não se atualizou com a mudanças que o futebol vem passando nos últimos anos e isso de nada ajudou a seleção em sua caminhada.

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Sem poder contar com Neymar, Dunga tentou escalar um time mais leve em seu último jogo à frente da Seleção

A campanha do treinador foi horrível nessa ultima passagem, a seleção foi mal em mais uma Copa América e mais uma vez foi eliminado pelo Paraguai nos pênaltis. Pelas eliminatórias ele conseguiu apenas metade dos pontos possíveis e deixou a seleção fora da zona de classificação para a Copa.

O ato final do retorno fracassado de Dunga à Seleção foi a eliminação na primeira fase da Copa América do Centenário, em um grupo composto por Equador, Peru e Haiti.

A derrota para o Peru com um gol de mão, pela Copa América Centenário foi o último jogo de Tite pela seleção.
A derrota para o Peru com um gol de mão, pela Copa América Centenário foi o último jogo de Tite pela seleção.

Após a sequência de vexames, a CBF acertou na aposta e trouxe Tite para o comando da Seleção, com dois anos de atraso. Natural de Caxias do Sul, o treinador têm raízes gaúchas no seu estilo de futebol, mas não deve repetir os erros dos seus conterrâneos à frente da equipe canarinho.

Na entrevista de apresentação, Tite relembrou o trabalho de Telê Santana e afirmou que vai implementar um futebol que preze posse bola, triangulações e aproximações na Seleção, ao invés de um jogo pautado na força física e em bolas longas.

Além disso, podemos esperar convocações mais sensatas do ex-treinador corintiano. Se repetir os critérios adotados na equipe paulista, os jogadores brasileiros podem ter certeza que quem estiver em melhor momento vai ser chamado e que qualquer ausência ou veto será feito às claras e com alguma explicação técnica.

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Dentro de campo, Tite deve apostar no seu famoso 4-1-4-1, esquema que consagrou o melhor momento do Corinthians em 2015. Com essa configuração, o Brasil teria condições de apresentar um futebol baseado em posse de bola, sem perder a compactação que o técnico tanto preza. Ao mesmo tempo, em partidas de maior dificuldade, continuaríamos com boas opções de velocidade, caso o treinador aposte em contra-ataques. Muita água ainda vai rolar, mas, com Tite, podemos esperar variações de jogo e o retorno de uma Seleção Brasileira, no mínimo, competitiva.

E você? Acha que Tite pode trazer o futebol brasileiro de volta às glórias?

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