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Messi não deveria deixar a Argentina

Posição de Messi não deve ser definitiva e o mundo deveria abraçá-lo para jogar mais uma Copa do Mundo pela Argentina

Lionel Messi no auge do desespero extravasou toda a pressão que carregava em suas costas. Na final da Copa América Centenário, criou várias chances para os companheiros de equipe. Os gols não vieram e na disputa por pênaltis errou sua cobrança. O Chile venceu novamente uma final de Copa América diante da Argentina com Messi em campo. E o craque definiu que jamais voltaria a vestir a camisa argentina. Mas será mesmo que ele não volta?

Pela primeira vez ficou escancarado o quanto Messi sofre quando sai derrotado em uma partida de futebol. Mais uma vez ficou claro o quão grande era seu apreço pela Albiceleste. Em 2014, a derrota não foi tão acachapante, pois o melhor do mundo caiu para a Alemanha do 7 a 1, sem perder uma penalidade tão decisiva. 2016 foi perfurante pois o vice se repetia pelo terceiro ano consecutivo e todos viram a dor de Messi. A pressão era enorme. A Argentina não vence nada desde 1993.

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Maradona jamais teve essa pressão. Na Copa do Mundo de 82, defendia o título contestado da Copa de 78 da Argentina. El Pibe era a mais nova sensação do futebol argentino e não foi crucificado por cair no grupo que tinha o Brasil mágico de Zico e a futura campeã Itália. Em 86, Maradona ‘ganhou a Copa sozinho’. Opinião propagada por especialistas, ex-jogadores, técnicos e amantes do futebol. Um time, que jogava fechado, e tinha a missão de deixar Maradona resolver com dribles, gols e passes magistrais para Valdano e Burruchaga o consagrarem. El Diez ao fim da Copa seria o Salvador da Pátria. Antes era esperança de alegria do povo, que se consumou limpando a sujeira feita pela ditadura argentina na Guerra das Malvinas em 1982 e simbolizou a força do futebol argentino que ficou mascarada no primeiro título mundial. Já no ano de 1990, na mesma fórmula, Maradona ainda brilhava pelo Napoli, mas não repetiu o feito do México, mesmo jogando em ‘casa’ na Itália.

El Diez não faria nada mais nas Copas Américas. Quando a disputou em 83, 87 e 89 não repetiu seu ato épico de 1986. As drogas o atrapalharam no fim da década de 90 e o tirariam das disputas de 91 e 93. Voltaria à cena em 94, mas novamente seria atrapalhado pelo vício que o tiraria do Mundial nos Estados Unidos. Enquanto esteve fora, a imprensa e o povo argentino lamentavam sua ausência, a expectativa era de que retornasse algum dia. A verdade é que o período de ingresso para Messi na seleção argentina o fez carregar um fardo muito maior.

Quando Messi passou a vestir a camisa da Argentina, em 2005, já eram 12 anos sem títulos Albicelestes. Messi ainda era um coadjuvante na campanha da Copa do Mundo de 2006 e no Vice da Copa América de 2007. Mas seu início era mais promissor que o de Don Diego com o título do Mundial Sub-20 e o título da Olimpíada de 2008, algo que nem Maradona ou Pelé conseguiram.

Lionel Messi exibe ao lado de Agüero a medalha de ouro olímpica, em 2008.
Lionel Messi exibe ao lado de Agüero a medalha de ouro olímpica, em 2008.

A medida que os títulos espanhóis e da Liga dos Campeões, e as exibições fantásticas pelo Barcelona se tornavam rotina, a imprensa e a torcida exigiam do ‘quase espanhol’ Lionel Messi, que foi para Catalunha com 14 anos, o mesmo com a Argentina, sedenta por conquistas. O Brasil havia ganho o título da Copa do Mundo recentemente, em 2002, e na América do Sul era soberano. Desde a primeira Champions, em 2009, já se esperava muito do craque.

O ano de 2010 foi uma temporada desgastante pelo Barça, que resultou numa fraca exibição na Copa do Mundo. A Copa América de 2011 foi de muita expectativa por Messi ter conduzido o Barça a um novo título da Liga dos Campeões e se manter como o melhor jogador do mundo. Nas quartas de final, contra o Uruguai, Higuaín aproveitou suas jogadas, Messi fez nas penalidades máximas, porém Tévez errou e a Argentina caiu. Ele decidia em 2o14, no Brasil, mesmo longe das melhores condições, mas o amargor do vice viria para não sair mais. Em 2015, a Argentina teve a chance, com Messi articulando os lances, inclusive a clara chance perdida por Higuaín. Novas penalidades, Messi fez, mas deu Chile. O roteiro da decisão do último domingo nós já sabemos.

Em todas as ocasiões, temos algumas semelhanças. Em todas as ocasiões era importante sua presença, era ele o imprescindível para a Argentina, era sempre dele que o povo argentino e a imprensa mundial cobrariam. Por mais que Higuaín, Agüero e Tévez não resolvessem, diziam que Messi deveria ter resolvido, pois no Barcelona ele sempre decide.

Diego Maradona era a esperança de uma Argentina que poderia ser campeã do mundo novamente na década de 80. Messi era o eleito que acabaria, de qualquer maneira pelo status do que sempre foi, com a seca de títulos. Psicólogos argentinos acreditam que tamanha pressão e ansiedade geradas por todos e alimentadas pelo craque podem o ter atrapalhado desde 2010. Sua vontade repentina de abandonar a Argentina, por mais que esteja descontente com a AFA, é vista como um argumento claro pelos especialistas. Entretanto, também acreditam que não seja uma posição definitiva.

Dani Alves, seu ex-companheiro de Barcelona, Hristo Stoichkov, ídolo do Barça, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, e Maradona o ainda querem na Argentina e acreditam que foi uma decisão tomada de cabeça quente. Messi pode até ficar de fora alguns jogos, mas deve voltar. Como bem já disse Pep Guardiola, “Messi é competitivo como uma besta”. E é muito difícil imaginar La Pulga fora de uma Copa do Mundo aos 31 anos. Ao menos essa é a torcida de quem é fã de Messi, fã do futebol, fã do personagem e da representatividade do camisa 10 para o esporte.

Temos uma Copa do Mundo em dois anos e a ausência de Lionel Messi para Argentina pode ser catastrófica nas Eliminatórias, atualmente terceira colocada. E por mais que o time de Tata Martino não passe dificuldades, seria revigorante para o jogador receber o clamor da imprensa e, principalmente, do povo argentino para vê-lo de novo com a camisa do seu país. Da mesma forma que a Argentina comemorava a volta de Maradona em 94, talvez chegue o momento de Messi ver a mesma coisa acontecer com ele. Óbvio que isso seria o máximo.

Já imaginou uma redenção do melhor do mundo em 2018? Digno de filme. O sonhado título, 25 anos depois de um enorme marasmo argentino, seria bem mais fácil com ele.

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Comments (1)

  1. Gareth Bale fez história com País Gales | Futebol no Planeta

    […] Este mês ficou marcado como o mês em que Lionel Messi se aposentaria da Seleção Nacional. Talvez se ele tivesse ganhado a Copa América a história teria sido diferente e ele já estaria pensando na copa do mundo. Porém a Argentina deixou escapar o título, mas mesmo assim Messi jogou muita bola. […]

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